Caminhar pelas ruas de Porto Alegre, sentar-se na grama do parque da Redenção, beber com amigos numa mesa de bar, situações tão corriqueiras em minha vida, tão previsíveis como as duas, três ou mais crianças e adultos que passarão por mim oferecendo-me rosas, balas, adesivos, isqueiros, panos de prato, ou apenas pedindo um trocado para o leite, para a bolachinha, para a mãe, para o irmão menor , para o filho, que está logo ali na esquina. Esta situação me enrijece há muitos anos, também se instalam perguntas sobre a melhor maneira de responder a esta situação, se é que uma resposta minha não realiza apenas o meu bem estar, ou a minha consciência tranqüila ou o fato de eu não desejar ser interrompida, ou não saber o que responder a criança que está a minha frente, ou que chega de lado, ou que me ofende quando eu, e é o que normalmente acontece, respondo: não, obrigada!

Por este desconforto, por me sentir tocada, envolvida com estas realidades é que este Coletivo foi tomando corpo e sua proposta amadurecida, formulada e inscrita em diversos editais. Neste processo contei com a cumplicidade de Marina Mendo, Aline Grisa, Denis Gosch, Lígia Rigo, Mateus Avila e Álvaro Vilaverde.

Então, o Coletivo Das Flor criou em 2012/2013 um espaço de interação de artistas com crianças e adultos em estado de vunerabilidade social. Nessa relação de diálogo e transformação, o projeto culminou na montagem do espetáculo DAS FLOR, que retratou através da arte, as infâncias que viveram, vivem ou estão em risco de viver situações de rua e toda a complexidade que tal situação impõe ao sujeito.

A contemplação do projeto com o Prêmio Pró-Cultura de Incentivo ao Circo, Dança e Teatro Ano 2010 pela Fundação Nacional de Artes – FUNARTE, permitiu aos artistas do Coletivo DAS FLOR,  vivenciar a experiência da criação, baseada num processo investigativo, onde nossos olhares se confrontaram e foram cumplices, onde fomos atravessados, contaminados como indivíduos e artistas.

Neste projeto do Coletivo Das Flor a direção geral é de Luciane Panisson e a coordenação pedagógica de Luciana Paz. Também integraram o projeto os atores: Juliano Barros, Fábiola Rahde, Marcos Rangel, Roberta Alfaya, o multiartista Álvaro Vilaverde e o músico Eloy Fristch. A produção foi assinada por Liége Biasotto e Alexandre Vargas.

O processo de pesquisa para construção do espetáculo foi dividido em ciclos inspiradas nas fases do plantio:

A 1º etapa que consistiu em Adubar e Semear a Terra,  iniciou em  julho de 2012 com as Oficinas de Artes Integradas – Teatro, Música, Dança e Artes Visuais – ministradas pelo corpo artístico do projeto em duas instituições que atendem pessoas em estado de vunerabilidade social: o EPA (Escola Aberta de Porto Alegre) que atende adolescentes e adultos e a Casa de Acolhimento de Porto Alegre que atende crianças e adolescentes.

No dia 30 de outubro,  no Teatro de Câmara Túlio Piva, às 19h30, aconteceu o encerramento desta etapa, com a mostra de exercícios cênicos intitulados: Rua dos Sonhos ou Rua das Floresmontagem com as crianças da Casa de Acolhimento Porto alegre   e Joga Bola Jogador , montagem com os alunos do EPA. No saguão do teatro foi montada a  exposição dos objetos-dobra, criados pelo artista plástico Álvaro Vilaverde,  que serviram de espaço para os registros dos relatos, impressões e emoções dos participantes das oficinas.

Após o término das Oficinas de Artes Integradas, o projeto entrou na sua 2º etapa: Regar.  Um Observatório Rua com saídas de campo nas ruas de Porto Alegre e entrevistas com profissionais da área de educação e assistência social. Concomitantemente, os artistas iniciaram o Laboratório de Criação onde os olhares e fazeres se colocaram em perspectiva.

A partir de março de 2013, entramos na 3o etapa: Crescer e Florescer, com o período de montagem e ensaios do  espetáculo. Nessa etapa, também criou-se a intervenção urbana Fatias de Corpos, que busca a re-significação do espaço urbano e da rua, com personas compostas simbióticamente entre o corpo e objeto-dobras

O espetáculo Das Flor estreiou no dia 12 de maio, no Museu do Trabalho, dentro da programação do 8 Festival Palco Giratório SESC. Nos dias 27 e 28/08/2013 realizou apresentações para Escola e Instituições que atendem população em situação de vulnerabilidade social – Projeto Usina das Artes – Espaço do Grupo Teatro Sarcaústico. Em setembro de 2013 realizou uma Temporada no Centro Cultural CEEE Érico Verissimo – para público em geral e Territórios de Paz. No dia 28de novembro de 2013 realizou duas apresentações no Theatro São Pedro/POA/RS para Territórios de Paz e público em geral.

Em 2014, o Coletivo das Flor esta situado no Salão da Igreja São Pedro no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre/RS, para realizar o Projeto Das Flor um diálogo Antropofagico com a Lomba do Pinheiro Financiado pelo o Prêmio Procultura – FAC, Sociedade Civil.

O intenção do Coletivo foi criar um espetáculo na rua a partir da imersão de 13 artistas de diferentes áreas – teatro, dança, circo, música, cinema, fotografia e artes plásticas – no território da  Lomba .

O projeto conta com a concepção e encenação de Luciane Panisson acompanhada dos criadores Bebeto Alves, Álvaro Vilaverde, Juliano Barros, Margarida Rache, Marcos Rangel, Eveliana Marques (Ekin), Júlia Rodrigues, Juliane Senna Munhoz, Gabriela Chultz,  Expinho Tiago,  Vitória Monteiro  e  Vini Silva.

A produção das ações do coletivo é realizada pela CUCO Produções, dirigida por Liége Biasotto.

 

OFICINA  DIÁLOGOS ANTROPOFAGICOS COM A LOMBA DO PINHEIRO Ano: 2014

 

OFICINA DE ARTES INTEGRADAS DAS FLOR – ANO:2012

Realizadas na Casa de Acolhimento e no EPA (Escola Aberta Porto Alegre)

Coordenação Pedagógica: Luciana Paz

Oficineiros: Álvaro Vilaverde, Fabíola Rahde, Juliano Barros, Luciane Panisson, Marina Mendo, Marcos Rangel e Roberta Alfaya.

Na 1o Etapa – Adubando e Semeando, as Oficinas de Artes Integradas foram ministradas pelo corpo artístico do projeto em duas instituições que atendem pessoas em estado de vunerabilidade social: o EPA (Escola Aberta de Porto Alegre) que atende adolescentes e adultos, e a Casa de Acolhimento de Porto Alegre que atende crianças.

O principal objetivo dessa primeira etapa era estabelecer um canal de contaminação entre os artistas, crianças, adolescentes e adultos. Para tanto,  os artistas-professores criaram uma plataforma de atuação coletiva, colocando-se como agentes das oficinas e atuantes nas práticas artísticas propostas.

A proposta pedagógica foi utilizar  as diferentes linguagens – Dança, Teatro, Artes Visuais e a Música – como via de interação e expressão. E  por meio de propostas lúdicas afinar o convívio, possibilitando a ressignificação de valores e  pontos de vista.

O tema  transversal  foi a construção de narrativas. Assim, em muitos encontros a contacão de histórias ficcionais  levou a  relatos pessoais. Os relatos dessas histórias de vida foram registrados pelos participantes das oficinas nos objetos-dobra criados pelo artista plástico Álvaro Vilaverde.

Nossos agradecimentos aos colaboradores Juliane Senna (make up), Lúcia Panitz (acervo de figurino), professores do EPA e educadores da Casa de Acolhimento de Porto Alegre que em conjunto com a equipe do Projeto Das Flor tornaram a Mostra das Oficinas de Artes Integradas um momento  genuíno, sincero e repleto de emoção.